Eu quase não acredito mais em vídeo viral: a inteligência artificial mudou o jogo
Tem uma coisa que está ficando cada vez mais difícil na internet: saber o que é real.
E eu confesso que isso me preocupa.
Antigamente, quando aparecia um vídeo circulando nas redes sociais, eu pensava que pelo menos aquilo tinha acontecido de verdade.
Hoje já não dá para pensar assim.
Um exemplo recente chamou bastante atenção no Brasil.
Começou a circular nas redes sociais um vídeo que afirmava que a Polícia Federal estaria realizando uma operação nos aeroportos para impedir a fuga de políticos relacionada ao caso Banco Master.
O problema?
A informação era falsa.
Segundo a checagem publicada pelo UOL Confere, o vídeo utilizava imagens reais de uma reportagem antiga, mas o áudio havia sido manipulado com inteligência artificial.
E o mais impressionante é que o conteúdo conseguiu mais de 112 mil visualizações.
É justamente aí que eu vejo o tamanho do problema.
https://www.profitableratecpmnetwork.com/qat9cccu?key=1d6b1a557f6784d0d44e87d4186195daUma pessoa recebe o vídeo no WhatsApp.
Assiste rapidamente.
A imagem parece verdadeira.
A voz parece verdadeira.
O apresentador parece verdadeiro.
Então ela compartilha.
Depois outra pessoa compartilha.
E quando percebemos, milhares de pessoas já estão discutindo uma informação que nunca aconteceu.
A inteligência artificial trouxe coisas incríveis.
Hoje conseguimos criar imagens, vídeos, vozes e textos em poucos segundos.
Mas a mesma tecnologia também pode ser usada para fabricar conteúdos falsos muito convincentes.
E eu acho que a melhor defesa que temos é simples: desconfiar antes de compartilhar.
Se uma notícia parece absurda, muito urgente ou extremamente chocante, eu prefiro parar alguns minutos e procurar a informação em veículos confiáveis.
Também vale olhar a data do vídeo.
Muitas vezes uma gravação antiga volta a circular como se tivesse acontecido naquele mesmo dia.
Foi exatamente esse tipo de manipulação que apareceu no caso citado acima.
Outra coisa que eu comecei a fazer é não acreditar somente porque aparece um apresentador conhecido na tela.
A imagem pode ser verdadeira.
A reportagem original pode ser verdadeira.
Mas o áudio colocado por cima pode não ser.
E isso muda completamente o significado.
Acho que daqui para frente teremos que aprender uma nova regra para usar a internet:
ver não significa necessariamente acreditar.
Antes de compartilhar aquele vídeo que acabou de chegar no grupo da família, talvez seja melhor pesquisar primeiro.
Porque hoje em dia, alguns segundos de inteligência artificial podem fabricar uma história que milhões de pessoas levam horas para descobrir que era mentira.



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